Datastore: Tudo sobre essa estrutura de dados computacionais

Datastore: Tudo sobre essa estrutura de dados computacionais

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Ambientes virtualizados concentram dezenas ou centenas de máquinas virtuais em poucos servidores físicos. Essa consolidação simplifica o gerenciamento, mas também cria um ponto único de falha para o armazenamento.

Se o disco local de um host falhar, todas as VMs nele armazenadas ficam indisponíveis. Essa dependência direta impõe um risco significativo à continuidade das operações. Por isso, a arquitetura de armazenamento precisa evoluir.

Logo, separar o armazenamento dos servidores físicos com uma estrutura centralizada é fundamental. Essa abordagem utiliza um repositório lógico conhecido como datastore para agrupar e gerenciar os arquivos das máquinas virtuais.

O que é um datastore?

Um datastore é uma camada de abstração que desacopla as máquinas virtuais do armazenamento físico subjacente. Ele funciona como um contêiner lógico, formatado com um sistema de arquivos específico para virtualização, como VMFS no VMware ou ReFS no Hyper-V.

Essa estrutura organiza todos os arquivos de uma VM, incluindo discos virtuais (VMDKs, VHDXs), arquivos de configuração e snapshots, em um único local acessível por múltiplos hosts.

Essa centralização é o que viabiliza recursos avançados de virtualização. Por exemplo, a migração ao vivo de uma VM (vMotion ou Live Migration) só é possível porque tanto o host de origem quanto o de destino acessam o mesmo datastore compartilhado. Sem ele, seria necessário copiar gigabytes ou terabytes de dados pela rede, um processo lento e disruptivo.

Na prática, um datastore pode ser construído sobre diferentes tecnologias. Ele pode usar um único disco local, um conjunto de discos em RAID ou, mais comumente, um volume em um storage externo conectado via rede. A escolha da tecnologia impacta diretamente o desempenho, a escalabilidade e a disponibilidade do ambiente virtual.

Como um datastore funciona na prática

O funcionamento de um datastore depende do protocolo de armazenamento utilizado para conectar os hosts ao storage. As duas abordagens mais comuns são o armazenamento em bloco e o armazenamento em arquivo.

Com o protocolo iSCSI ou Fibre Channel, o storage apresenta um volume em bloco, conhecido como LUN (Logical Unit Number), para os hipervisores. O hipervisor então formata esse LUN com um sistema de arquivos clusterizado, como o VMFS, criando um datastore que múltiplos hosts podem acessar simultaneamente.

Alternativamente, com o protocolo NFS (Network File System), o storage exporta um diretório pela rede. Os hosts montam esse diretório como um datastore, sem a necessidade de formatação adicional.

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Cada máquina virtual e seus arquivos associados são armazenados como arquivos individuais dentro desse diretório compartilhado. Essa simplicidade torna o NFS uma opção bastante popular em muitos ambientes.

Independentemente do protocolo, o hipervisor gerencia o acesso concorrente ao datastore. Ele utiliza mecanismos de bloqueio para garantir que dois hosts não tentem modificar o mesmo arquivo de VM ao mesmo tempo, o que evita a corrupção de dados. Essa gestão coordenada é essencial para a estabilidade de recursos como alta disponibilidade (HA) e balanceamento de carga (DRS).

Tipos de datastore em ambientes virtualizados

Os datastores variam conforme a tecnologia de armazenamento que os suporta. O tipo mais simples é o datastore local, que utiliza os discos internos de um servidor físico. Embora seja fácil de configurar, ele amarra as máquinas virtuais a um único host, impedindo o uso de recursos como migração ao vivo e failover automático. Seu uso geralmente se limita a ambientes de teste ou para armazenar arquivos de ISO e templates.

Para produção, os datastores compartilhados são a norma. Eles podem ser baseados em SAN (Storage Area Network) ou NAS (Network Attached Storage). Um datastore SAN utiliza protocolos de bloco como iSCSI ou Fibre Channel para fornecer acesso de alta performance. Já um datastore NAS utiliza protocolos de arquivo como NFS ou SMB3, simplificando a configuração e o gerenciamento.

Recentemente, surgiram também os datastores definidos por software, como o VMware vSAN. Essa abordagem agrupa os discos locais de vários hosts para criar um pool de armazenamento compartilhado e resiliente. Cada tipo tem seus próprios trade-offs em termos de custo, complexidade, desempenho e escalabilidade, e a escolha correta depende das necessidades específicas da carga de trabalho.

Diferenças entre VMFS e NFS para datastores

A escolha entre VMFS (Virtual Machine File System) e NFS para criar um datastore é uma decisão técnica importante em ambientes VMware. O VMFS é um sistema de arquivos clusterizado de alto desempenho, projetado especificamente para armazenar máquinas virtuais. Ele opera sobre protocolos de bloco (iSCSI/FC) e permite que vários hosts ESXi leiam e escrevam no mesmo volume compartilhado de forma segura, graças a seus mecanismos de bloqueio em nível de arquivo.

Por outro lado, o NFS é um protocolo de compartilhamento de arquivos maduro e amplamente utilizado. Ao usar um datastore NFS, o gerenciamento do armazenamento é delegado ao storage. Não há necessidade de formatar LUNs, e o provisionamento de espaço pode ser mais flexível, especialmente com thin provisioning no lado do storage. A configuração também costuma ser mais simples, pois envolve apenas montar um compartilhamento de rede.

Em termos de desempenho, as diferenças diminuíram bastante ao longo dos anos. Redes 10GbE ou mais rápidas e storages modernos tornaram o NFS competitivo com o iSCSI para muitas cargas de trabalho. A decisão frequentemente se resume à familiaridade da equipe de TI e às funcionalidades específicas do storage, como snapshots e replicação, que podem ser mais fáceis de integrar com NFS.

A relação entre LUN, iSCSI e um datastore

Para entender como um datastore é criado em uma rede SAN, é preciso compreender a relação entre LUN, iSCSI e o hipervisor. Um LUN é uma porção de armazenamento em bloco provisionada a partir de um storage array. Pense nele como um disco rígido virtual que pode ser apresentado a um ou mais servidores. O protocolo iSCSI é o meio de transporte que permite que esse LUN seja acessado através de uma rede TCP/IP padrão.

O processo começa no storage, onde o administrador cria um LUN e o associa a um alvo iSCSI (iSCSI Target). Em seguida, nos hosts ESXi ou Hyper-V, o iniciador iSCSI (iSCSI Initiator) é configurado para se conectar a esse alvo. Uma vez que a conexão é estabelecida, o sistema operacional do hipervisor enxerga o LUN como um disco local bruto, pronto para ser formatado.

É nesse ponto que o datastore nasce. O administrador formata o LUN com um sistema de arquivos apropriado, como VMFS ou ReFS, transformando o espaço em bloco bruto em um repositório organizado para as máquinas virtuais. Essa arquitetura é poderosa porque permite que vários hosts acessem o mesmo LUN simultaneamente, formando a base para um cluster de virtualização resiliente e escalável.

Impacto do armazenamento no desempenho das VMs

O desempenho de um datastore é talvez o fator mais crítico para a experiência do usuário em um ambiente virtualizado. Um armazenamento lento causa alta latência de I/O, o que se traduz em aplicações lentas, inicialização demorada de sistemas operacionais e até mesmo congelamentos de VMs. Os principais indicadores de desempenho a serem observados são IOPS (operações de entrada/saída por segundo), throughput (taxa de transferência) e latência (tempo de resposta).

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Cargas de trabalho diferentes têm requisitos distintos. Um servidor de banco de dados, por exemplo, geralmente exige altos IOPS e baixa latência para pequenas transações aleatórias. Já um servidor de arquivos ou de streaming de vídeo precisa de alto throughput sequencial. Um datastore mal dimensionado para a carga de trabalho se torna um gargalo para todo o ambiente, mesmo que os hosts tenham CPUs e memória de sobra.

O uso de tecnologias como SSDs ou NVMe em um storage pode transformar o desempenho de um datastore. Um cache SSD, por exemplo, pode acelerar drasticamente as operações de leitura mais frequentes. Da mesma forma, um pool de armazenamento totalmente flash (All-Flash) elimina os gargalos mecânicos dos HDDs, entregando IOPS massivos e latência de microssegundos, ideal para as aplicações mais exigentes.

Gerenciando datastores com eficiência

Um gerenciamento eficiente de datastores é vital para manter a saúde e o desempenho do ambiente virtual. Uma das primeiras decisões é a escolha entre provisionamento fino (thin) e espesso (thick). O thick provisioning aloca todo o espaço de um disco virtual no momento da criação, o que pode levar ao desperdício de capacidade.

Já o thin provisioning aloca espaço conforme a necessidade, otimizando o uso do storage, mas exigindo um monitoramento cuidadoso para evitar o esgotamento do espaço no datastore.

Outra prática importante é o monitoramento contínuo da capacidade e do desempenho. Ferramentas como o vCenter ou o System Center permitem acompanhar o uso de espaço, IOPS e latência por datastore e por VM. Identificar VMs "barulhentas" que consomem recursos de I/O desproporcionalmente ajuda a evitar que elas impactem outras cargas de trabalho. Em alguns casos, pode ser necessário mover essas VMs para um datastore com maior performance.

A organização também simplifica muito a gestão. Em vez de um único datastore gigante, muitos administradores preferem criar múltiplos datastores menores, agrupados por nível de serviço (por exemplo, "Ouro" para SSDs, "Prata" para SAS) ou por função (produção, teste, backup). Essa segmentação facilita a aplicação de políticas, o balanceamento de carga e a solução de problemas.

Como um NAS QNAP otimiza seu datastore

Um storage NAS da QNAP é uma plataforma versátil para construir datastores de alto desempenho para ambientes de virtualização. Equipados com suporte para iSCSI e NFS, eles se integram perfeitamente com VMware, Hyper-V e Proxmox. A presença de múltiplas portas de rede, incluindo 2.5GbE, 10GbE e até 25GbE, garante uma conectividade de alta velocidade entre os hosts e o armazenamento, eliminando gargalos de rede.

A arquitetura de armazenamento híbrida é um dos grandes diferenciais. Muitos modelos QNAP permitem a instalação de SSDs para criar um cache de leitura/escrita ou para implementar o tiering automático (Qtier).

O cache acelera o acesso aos dados mais quentes, enquanto o tiering move automaticamente os dados entre SSDs e HDDs com base na frequência de uso. O resultado é um desempenho próximo ao de um sistema all-flash com um custo muito mais baixo.

Além do desempenho, os recursos de proteção de dados são robustos. A capacidade de criar snapshots quase instantâneos no nível do storage, tanto para LUNs iSCSI quanto para compartilhamentos NFS, oferece um método rápido e eficiente para recuperação de VMs.

Se uma máquina virtual for corrompida por ransomware ou por um erro humano, é possível revertê-la para um estado anterior em minutos. Para garantir a continuidade dos negócios, a escolha de um storage confiável e com recursos avançados é essencial. A infraestrutura correta depende da análise técnica do ambiente, das aplicações e dos objetivos do projeto.

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Ricardo Almeida

Ricardo Almeida

Especialista em Soluções NAS
"Com mais de 20 anos de experiência no setor de tecnologia, Ricardo Almeida é um entusiasta e profundo conhecedor de soluções de armazenamento e infraestrutura de rede. Sua jornada profissional o levou a explorar as nuances do backup, virtualização e segurança de dados, sempre buscando as abordagens mais eficientes e confiáveis. Ao longo de sua carreira, Ricardo testemunhou a evolução do armazenamento em rede e compreende o papel crucial que ele desempenha para empresas de todos os portes. No Blog QNAP Brasil, ele compartilha seu conhecimento prático e visão estratégica para ajudar empresas e usuários a otimizar suas operações e proteger seus ativos digitais com as melhores soluções NAS do mercado."

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