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Armazenamento em fita: Será que ainda vale a pena?

Armazenamento em fita: Será que ainda vale a pena?

Índice:

O volume massivo com dados digitais impõe um desafio constante para as empresas. Muitas infraestruturas lutam para gerenciar custos com armazenamento crescente. Por isso, algumas tecnologias mais antigas ressurgem como alternativas viáveis.

O armazenamento em fita, frequentemente considerado obsoleto, ainda apresenta um custo por terabyte imbatível para arquivamento massivo. Sua natureza offline também oferece uma camada extra contra ameaças cibernéticas.

Assim, surge a dúvida sobre sua real utilidade em um ambiente com soluções all-flash e nuvem.

Armazenamento em fita: Será que ainda vale a pena?

Sim, o armazenamento em fita ainda vale a pena para arquivamento a longo prazo e como proteção contra ransomware. A tecnologia oferece um custo por terabyte muito baixo e cria uma barreira física natural contra ataques, porque as mídias ficam offline. Por isso, ela é ideal para guardar dados que raramente são acessados.

Essa solução funciona com a gravação sequencial em cartuchos magnéticos, diferente do acesso aleatório nos discos rígidos ou SSDs. Seu uso principal é para guardar grandes volumes com dados inativos, conhecidos como "cold storage". Várias empresas usam fitas para cumprir políticas para retenção e conformidade, garantindo a preservação das informações por muitos anos.

A tecnologia LTO (Linear Tape-Open) é o padrão atual para o mercado e evolui constantemente. Cada nova geração aumenta a capacidade e a velocidade na transferência, o que mantém a fita competitiva para arquivamento em grande escala. Por exemplo, um único cartucho LTO-9 armazena até 18 TB nativos.

Como a tecnologia LTO evoluiu ao longo do tempo?

A tecnologia LTO não parou nos anos 90, pelo contrário, ela tem um roteiro claro para evolução. As gerações avançam com aumentos significativos em capacidade e desempenho. A passagem do LTO-7 para o LTO-9, por exemplo, dobrou a capacidade por cartucho, o que reduz o espaço físico necessário para o arquivamento.

Além do aumento na capacidade, as velocidades para transferência também melhoraram bastante. Um drive LTO-9 alcança taxas até 400 MB/s nativos, uma velocidade comparável a muitos discos rígidos SATA. Essa performance é mais que suficiente para operações com backup e arquivamento em massa, onde os dados são gravados sequencialmente.

Outro avanço importante foi a introdução do sistema LTFS (Linear Tape File System). Ele formata a fita com uma estrutura similar a um disco, com pastas e arquivos. Isso simplifica muito o acesso aos dados, pois os usuários podem arrastar e soltar arquivos sem precisar um software proprietário para backup.

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Fita versus disco: qual o melhor para cada cenário?

A escolha entre fita e disco depende inteiramente da aplicação e da frequência no acesso aos dados. Os discos rígidos e SSDs são imbatíveis para dados ativos, como sistemas operacionais, bancos com dados e arquivos para colaboração diária. Eles oferecem baixa latência e alto IOPS, essenciais para operações que exigem acesso aleatório e rápido.

Por outro lado, a fita é a campeã para arquivamento a longo prazo ou "cold data". Seu custo por terabyte é drasticamente menor que qualquer disco. Além disso, sua durabilidade, estimada entre 15 e 30 anos, supera a vida útil dos HDDs. Portanto, para guardar terabytes ou petabytes com dados que raramente serão lidos, a fita é economicamente superior.

Muitas vezes, a melhor estratégia não é uma escolha exclusiva, mas uma combinação das duas tecnologias. Um sistema com armazenamento em camadas (tiering) usa SSDs para dados quentes, HDDs para dados mornos e fitas para dados frios. Assim, a infraestrutura equilibra desempenho, custo e capacidade.

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A fita como defesa contra ataques ransomware

Uma das maiores vantagens da fita na era digital é sua imunidade inerente a ataques ransomware. Como os cartuchos são removidos do drive e armazenados offline, eles criam um "air gap" físico. Isso significa que não há conexão lógica ou física entre os dados arquivados e a rede ativa.

Quando um ransomware infecta uma rede, ele criptografa todos os arquivos acessíveis, incluindo backups conectados em discos ou em outros servidores. No entanto, o malware não consegue alcançar uma fita guardada em um cofre. Esse isolamento garante que sempre exista uma cópia limpa e recuperável dos dados, mesmo após um ataque devastador.

Por essa razão, muitas políticas para segurança da informação recomendam a regra 3-2-1 para backup. Ela sugere manter três cópias dos dados, em duas mídias diferentes, com uma cópia armazenada fora do local (off-site). A fita cumpre perfeitamente o requisito para mídia diferente e armazenamento externo, sendo uma peça fundamental na recuperação após desastres.

Quais os principais custos associados ao tape storage?

Analisar o Custo Total para Propriedade (TCO) revela a verdadeira economia com o armazenamento em fita. O investimento inicial em uma unidade ou biblioteca com fitas (tape library) pode ser considerável. Porém, o custo por mídia é extremamente baixo, especialmente quando comparado ao valor por terabyte nos discos rígidos corporativos.

Os custos operacionais também são muito menores. Discos rígidos em um data center consomem energia 24/7 e geram calor, o que exige refrigeração constante. As fitas, por outro lado, não consomem energia enquanto estão arquivadas. Essa diferença resulta em uma economia substancial na conta elétrica e nos sistemas para climatização ao longo dos anos.

A longevidade da mídia também impacta o TCO. Enquanto discos rígidos precisam ser substituídos a cada 3-5 anos, as fitas LTO têm uma vida útil que pode chegar a 30 anos. Isso reduz a frequência para migração dos dados e os custos associados com a compra de novas mídias, tornando o arquivamento em fita uma solução financeiramente sustentável para o longo prazo.

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Desempenho e gargalos em sistemas com fitas

O desempenho em sistemas com fitas tem duas faces. A taxa para transferência sequencial é surpreendentemente alta. Um drive LTO moderno pode gravar ou ler dados mais rápido que um único disco rígido. Isso torna a tecnologia muito eficiente para fazer backup ou restaurar grandes volumes com dados, como um servidor inteiro ou um banco com dados completo.

O gargalo, no entanto, está no tempo para acesso. A fita é uma mídia sequencial, então para ler um arquivo específico no meio do cartucho, o drive precisa avançar a fita até aquele ponto. Esse processo pode levar vários minutos, uma latência inaceitável para aplicações que precisam acesso rápido e aleatório. Por isso, a fita nunca deve ser usada para dados ativos.

Em uma operação para restauração, o principal limitador raramente é a rede 10GbE ou o processador do servidor. O fator determinante é o tempo que o drive leva para localizar e ler os blocos com dados na fita. Portanto, o planejamento para recuperação deve considerar essa latência e usar a fita para desastres completos, não para restaurar arquivos individuais com urgência.

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Limitações e cuidados necessários com o arquivamento

Apesar das vantagens, o armazenamento em fita exige alguns cuidados específicos. A mídia magnética é sensível a condições ambientais. Os cartuchos precisam ser armazenados em locais com temperatura e umidade controladas para garantir sua longevidade. Poeira e campos magnéticos fortes também podem danificar os dados.

Outro ponto é a necessidade para um plano para migração. Embora uma fita dure décadas, a tecnologia dos drives evolui. Um drive LTO-9, por exemplo, só consegue ler fitas LTO-8 e LTO-7. Com o tempo, será preciso migrar os dados para novas gerações para garantir a compatibilidade com hardware futuro. Esse processo exige planejamento e investimento.

A gestão do catálogo para backup também é fundamental. Saber exatamente em qual fita está cada arquivo é essencial para uma restauração eficiente. Um software para backup robusto automatiza esse gerenciamento, mas a disciplina na rotulagem e no armazenamento físico dos cartuchos continua sendo uma responsabilidade humana.

O papel dos storages NAS na estratégia de backup

Um storage NAS como os da QNAP desempenha um papel central em uma estratégia moderna para backup, conhecida como D2D2T (Disk-to-Disk-to-Tape). Nessa arquitetura, o NAS atua como o primeiro destino para os backups. Isso oferece velocidade e agilidade para as operações diárias, pois a recuperação a partir do disco é quase instantânea.

O NAS também fornece recursos avançados que a fita não possui. Snapshots, por exemplo, criam cópias instantâneas dos dados em um ponto no tempo, permitindo reverter rapidamente arquivos corrompidos ou exclusões acidentais sem precisar uma restauração completa. A replicação para outro NAS em um local remoto ainda adiciona uma camada extra para redundância.

Após os dados serem salvos no storage, o próprio equipamento pode gerenciar a cópia para a fita. Essa abordagem combina o melhor dos dois mundos. A velocidade e a conveniência do disco para recuperações recentes e a segurança com baixo custo da fita para arquivamento a longo prazo e recuperação após desastres. Um sistema QNAP com uma unidade para fita conectada via SAS ou Fibre Channel é a resposta para uma proteção completa.

A escolha correta para uma solução com armazenamento depende muito da sua aplicação, capacidade, desempenho e orçamento. Para desenhar uma estratégia que combine a velocidade dos storages NAS com a segurança do arquivamento em fita, fale com um de nossos especialistas.

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Lucas Almeida

Lucas Almeida

Especialista em storages
"Apaixonado por inovação, sou um entusiasta pela divulgação de gadgets que facilitam nossa vida digital. Exploro todos recursos de cada tecnologia, seja ele um NAS para uso doméstico até um all flash para implementações corporativas. Meu objetivo é descomplicar o mundo dos storages e auxiliar você a otimizar sua infraestrutura de TI."

Leia mais sobre: Armazenamento de Dados

Conteúdos sobre tipos de storages (NAS, SAN, DAS, All-Flash), HDD vs SSD, arquiteturas de armazenamento, etc.

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