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ISER (iSCSI Extensions for RDMA)

ISER (iSCSI Extensions for RDMA)

Índice:

A busca por mais desempenho em ambientes com virtualização e bancos de dados frequentemente encontra gargalos no armazenamento. O acesso rápido aos dados é um fator limitante para muitas aplicações críticas.

O protocolo iSCSI tradicional, embora popular, consome muitos recursos computacionais nos servidores e nos storages. Esse consumo excessivo com a CPU limita a taxa de transferência e aumenta a latência nas operações.

Assim, tecnologias que otimizam a comunicação entre o servidor e o armazenamento se tornam essenciais. Uma dessas tecnologias moderniza a forma como os dados trafegam pela rede.

O que é iSER (iSCSI Extensions for RDMA)?

iSER é um protocolo que estende o padrão iSCSI para usar a tecnologia RDMA (Remote Direct Memory Access). Essa combinação permite que os dados sejam transferidos diretamente entre a memória do servidor e a memória do storage, sem qualquer envolvimento da CPU ou do sistema operacional em cada operação.

Na prática, o iSER cria um atalho para os dados. Ele contorna quase toda a pilha de rede TCP/IP, que é a principal causa do consumo computacional e da latência no iSCSI convencional. Com isso, o protocolo acelera as transferências e libera o processador para outras tarefas importantes, como executar máquinas virtuais ou processar consultas em bancos de dados.

Essa abordagem, conhecida como "zero-copy", é especialmente útil em infraestruturas com all-flash. Nesses cenários, os discos SSD são tão rápidos que a rede e o processamento se tornam o novo gargalo. O iSER remove esse obstáculo e extrai o máximo desempenho do armazenamento.

Por que o iSCSI tradicional consome tanto CPU?

O iSCSI padrão opera sobre o protocolo TCP/IP. Cada bloco de dados enviado ou recebido precisa passar por várias camadas de processamento no kernel do sistema operacional. A CPU precisa empacotar os dados, calcular checksums, gerenciar as conexões e copiar as informações entre a memória do sistema e o buffer da aplicação.

Esse processo repetitivo consome uma quantidade significativa de ciclos do processador, tanto no iniciador (servidor) quanto no alvo (storage). Em ambientes com altas taxas de I/O, como um cluster de virtualização com dezenas de VMs, esse consumo se multiplica. Como resultado, a CPU se torna um ponto de contenção e limita a performance geral do sistema.

Muitas vezes, mesmo com uma rede de 10GbE ou mais rápida, o desempenho real fica aquém do esperado. O motivo quase sempre é o esgotamento da capacidade do processador para lidar com o tráfego de rede, um problema que o iSER resolve com eficiência.

A diferença fundamental entre iSER e iSCSI/TCP

A principal distinção entre os dois protocolos está no caminho que os dados percorrem. Com o iSCSI sobre TCP, os dados fluem da aplicação para o kernel do sistema operacional, onde são processados pela pilha TCP/IP e depois enviados à placa de rede. Esse percurso envolve múltiplas cópias na memória e um trabalho intenso da CPU.

Já o iSER utiliza o RDMA para criar um caminho direto. Os dados vão da memória da aplicação diretamente para a placa de rede RDMA, que os envia ao alvo. No destino, o processo inverso ocorre também sem intervenção da CPU. Essa transferência direta elimina a sobrecarga do kernel e as cópias intermediárias de memória.

Pense no iSCSI/TCP como um serviço postal com vários centros de triagem. Cada pacote passa por muitas mãos antes de chegar ao destino. O iSER, por outro lado, funciona como um serviço de entrega direta, sem paradas intermediárias. Por isso, a latência é muito menor e a taxa de transferência de IOPS aumenta bastante.

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Quais são os pré-requisitos para uma rede RDMA?

A implementação do iSER exige um hardware específico, pois o protocolo não funciona em redes Ethernet convencionais sem os componentes certos. O primeiro requisito são as placas de rede (NICs) compatíveis com RDMA. As tecnologias mais comuns são InfiniBand, RoCE (RDMA over Converged Ethernet) e iWARP.

Para redes baseadas em RoCE, os switches também precisam de uma configuração especial. É necessário habilitar o Data Center Bridging (DCB) e o Priority-based Flow Control (PFC). Essas funcionalidades criam uma rede Ethernet "lossless" ou sem perdas, que evita o descarte de pacotes e garante a estabilidade exigida pelo RDMA.

Além disso, a configuração de Jumbo Frames com um MTU (Maximum Transmission Unit) de 9000 bytes é altamente recomendada. Pacotes maiores reduzem a sobrecarga por byte transferido e melhoram a eficiência geral da rede. Sem essa infraestrutura, os benefícios do iSER simplesmente não aparecem.

Quando a implementação do protocolo faz sentido?

A adoção do iSER é justificada em cenários onde a latência e o alto desempenho de I/O são críticos. O caso de uso mais evidente é com storages all-flash. Usar iSER com arranjos de discos rígidos (HDDs) raramente traz vantagens, porque a lentidão mecânica dos discos se torna o gargalo, não a rede ou a CPU.

Ambientes de virtualização com hypervisors como VMware ESXi ou Microsoft Hyper-V se beneficiam enormemente. A redução no consumo da CPU nos hosts libera mais recursos para as máquinas virtuais, o que melhora a densidade de VMs por servidor e a responsividade das aplicações.

Bancos de dados de alta performance, sistemas de edição de vídeo em 4K/8K e outras cargas de trabalho sensíveis à latência também são candidatos ideais. Nessas situações, cada microssegundo economizado no acesso ao armazenamento impacta diretamente a produtividade e a experiência do usuário.

Como a compatibilidade afeta o iniciador e o alvo?

Para que o iSER funcione, tanto o servidor (iniciador) quanto o storage (alvo) precisam ter suporte total ao protocolo. Não basta apenas um dos lados ser compatível. A comunicação sempre ocorrerá pelo menor denominador comum, que seria o iSCSI sobre TCP caso um dos equipamentos não suporte RDMA.

No lado do iniciador, o sistema operacional deve ter os drivers corretos para a placa de rede RDMA e o módulo iSER habilitado. A maioria das distribuições Linux modernas e o VMware ESXi oferecem esse suporte nativamente para placas de rede populares, como as da Mellanox (NVIDIA) e Intel.

No lado do alvo, o sistema operacional do storage precisa ser capaz de gerenciar conexões iSER. O equipamento também deve possuir uma porta de rede compatível com RDMA. A configuração correta em ambos os pontos é fundamental para estabelecer uma conexão com o desempenho esperado.

A segurança no armazenamento em bloco com iSER

Uma preocupação comum ao adotar novas tecnologias de rede é a segurança. Felizmente, o iSER não compromete a proteção dos dados. Ele herda todos os mecanismos de segurança já estabelecidos pelo protocolo iSCSI, pois apenas o transporte dos dados é modificado.

A autenticação entre o iniciador e o alvo ainda pode ser feita usando o protocolo CHAP (Challenge-Handshake Authentication Protocol). Esse método garante que apenas servidores autorizados consigam se conectar aos volumes de armazenamento. A autenticação ocorre na camada de controle do iSCSI, que opera separadamente da transferência de dados via RDMA.

Adicionalmente, as práticas de segurança como o mascaramento de LUN (LUN masking) continuam totalmente funcionais. Com essa técnica, é possível definir quais servidores podem acessar volumes específicos no storage. Assim, a segmentação e o controle de acesso permanecem robustos, mesmo com a aceleração proporcionada pelo iSER.

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Alta disponibilidade e caminhos múltiplos

Em ambientes corporativos, a continuidade dos negócios é uma prioridade. Por isso, a compatibilidade com soluções de alta disponibilidade é essencial. O iSER se integra perfeitamente com tecnologias de múltiplos caminhos, como o MPIO (Multipath I/O), para garantir redundância e balanceamento de carga.

Com uma configuração MPIO, é possível estabelecer duas ou mais conexões iSER ativas entre um servidor e um storage. Se uma placa de rede, um cabo ou um switch falhar, o tráfego é automaticamente redirecionado para o caminho restante, sem interrupção no acesso aos dados. Isso aumenta muito a tolerância a falhas da infraestrutura.

Além da redundância, o MPIO também pode melhorar o desempenho. Dependendo da política de balanceamento escolhida, o sistema pode distribuir as operações de I/O entre todos os caminhos ativos. Essa distribuição aumenta a taxa de transferência agregada e reduz a latência, principalmente em cargas de trabalho intensas.

Desempenho real versus benchmarks teóricos

Os benchmarks de laboratório para o iSER frequentemente mostram ganhos de desempenho impressionantes, com latências abaixo de 100 microssegundos e milhões de IOPS. Embora esses números sejam tecnicamente possíveis, o desempenho no mundo real depende muito da carga de trabalho específica da aplicação.

Aplicações que realizam muitas operações de leitura e escrita com blocos pequenos e aleatórios, como bancos de dados OLTP, são as que mais se beneficiam da latência ultrabaixa do iSER. Já em transferências de arquivos grandes e sequenciais, a diferença para o iSCSI sobre TCP pode ser menor, embora ainda exista uma vantagem clara na redução do consumo da CPU.

O principal benefício observado na prática é a consistência do desempenho. Com o iSER, a latência se mantém baixa e estável mesmo sob alta carga, e o processador do servidor fica livre. Essa previsibilidade melhora a experiência do usuário e a saúde geral do sistema, um fator que os benchmarks nem sempre capturam.

Storages QNAP com suporte para a tecnologia

Vários modelos de storages NAS da QNAP, especialmente as linhas empresariais, oferecem suporte para iSER. Para habilitar essa funcionalidade, é necessário instalar uma placa de rede compatível com RDMA no slot PCIe do equipamento. A QNAP valida e suporta diversas placas da Mellanox e outras marcas líderes.

Uma vez que o hardware está instalado, a configuração é feita através da interface de gerenciamento do QTS ou QuTS hero. O sistema operacional da QNAP simplifica a criação de alvos iSCSI e a associação com a interface de rede RDMA. Isso torna a tecnologia acessível mesmo para administradores com menos experiência em redes de armazenamento complexas.

Combinar um storage QNAP all-flash com a tecnologia iSER é uma forma eficaz para construir uma infraestrutura de armazenamento de alto desempenho com um custo competitivo. Essa solução é ideal para virtualização, bancos de dados e outras aplicações que demandam baixa latência e alta taxa de transferência.

Implementar uma rede de armazenamento de alta performance exige um planejamento cuidadoso. A escolha correta da tecnologia, dos componentes de hardware e da configuração depende diretamente da sua aplicação, do orçamento e das metas de desempenho. Para garantir o sucesso do seu projeto, o suporte especializado é fundamental.

Fale com um de nossos especialistas para desenhar uma solução de armazenamento que atenda às suas necessidades. Nossa equipe pode ajudar a avaliar sua infraestrutura atual e recomendar os produtos e as configurações ideais para extrair o máximo de performance dos seus dados.

Lucas Almeida

Lucas Almeida

Especialista em storages
"Apaixonado por tecnologia, sou um entusiasta pelas tecnologias que facilitam nossa vida digital. Exploro todos recursos de cada tecnologia, seja ele um NAS para uso doméstico até um all flash para implementações corporativas. Meu objetivo é descomplicar o mundo dos storages e auxiliar você a otimizar sua infraestrutura de TI."

Leia mais sobre: Armazenamento de Dados

Conteúdos sobre tipos de storages (NAS, SAN, DAS, All-Flash), HDD vs SSD, arquiteturas de armazenamento, etc.

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